É cansaço ou é Burnout? Aprenda a diferenciar os sinais do seu corpo.
- Natalia Varga
- 24 de out. de 2025
- 4 min de leitura

No ritmo acelerado da vida moderna, é comum sentir-se exausto ao final do dia ou da semana. Muitas vezes, um bom descanso resolve e a energia se renova. No entanto, quando a fadiga se torna persistente mesmo após o repouso, pode ser algo mais sério: a Síndrome de Burnout.
Apesar de ser alvo de estudos há décadas, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu a Síndrome de Burnout como um fenômeno ocupacional em 2019. ) O termo ganhou reconhecimento e força em 2022, quando entrou em vigor o CID-11 (Classificação Internacional de Doenças.
O Burnout, como é conhecido popularmente, é um distúrbio emocional resultante de estresse crônico no trabalho que causam exaustão emocional entre outros sintomas que afetam a vida.
Quais são as causas do Burnout?
O estresse no ambiente profissional pode ser causado por fatores externos ou internos ao indivíduo. Vamos conhecer alguns.
FATORES EXTERNOS
· Jornadas excessivas de trabalho podem gerar fadiga e impedir o descanso adequado. Além disso causam desiquilíbrio na vida pessoal e a ausência de momentos de prazer que podem levar a sintomas depressivos.
· A pressão por resultados inatingíveis ou de difícil execução causa tensão constante e sensação de fracasso.
· O assédio moral, o isolamento social, a falta de reconhecimento, chefias abusivas e agressivas são exemplos de clima organizacional tóxico. Esse tipo de ambiente leva a problemas sérios emocionais, afetando a autoestima e causando desmotivação.
· O conflito pessoal persistente com colegas ou chefia pode ocasionar insatisfação, a uma baixa na autoestima, tensão e desmotivação.
FATORES INTERNOS
Os fatores internos estão relacionados a forma de funcionamento do indivíduo e pode causar dificuldade em se sentir satisfeito, desmotivação e sensação de injustiça.
· Tendência ao perfeccionismo;
· Alta exigência pessoal;
· Dificuldade em delegar;
· Dificuldade em estabelecer limites.
Como identificar o Burnout?
A Síndrome de Burnout se difere do cansaço normal (ou fadiga comum) principalmente pela sua origem, sua duração e sua abrangência sobre a vida do indivíduo.
Vejamos a tabela abaixo:
Característica | Cansaço (fadiga) | Burnout |
Origem | Situação pontual. | Situações constantes e crônicas (no trabalho). |
Duração | Temporária. Os sintomas somem após descanso, férias ou melhora das relações. | Persistente. Os sintomas duram semanas ou meses, não melhorando após o descanso. |
Abrangência | Se relaciona apenas com um evento ou um problema pontual.
Não afeta a motivação nem a autoestima.
Não prejudica a vida pessoal.
Pode ocasionar em sintomas leves e temporários, como dores de cabeça, sonolência e irritação. | Há dificuldade em descobrir a causa do problema.
Altera a motivação para trabalhar e viver, além de afetar a autoestima.
Prejudica a vida pessoal e familiar.
Os sintomas são mais graves e persistentes como insônia, problemas gastrointestinais e enxaqueca crônica.
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Quando o cansaço é acompanhado por sentimentos de despersonalização, então é hora de consultar um profissional. A despersonalização se caracteriza por mudanças na atitude do indivíduo, se tornando apático, negativo, indiferente ou distante das demais pessoas.
Esse é um sinal de alerta muito importante, pois indica sofrimento psíquico. Além disso, a persistência dos sintomas provoca sentimentos de ineficácia, incompetência e diminuição da produtividade e satisfação profissional.
É comum que os pacientes só percebam que estão sofrendo quando os sintomas físicos surgem, como: gastrite, alterações no apetite, insônia, enxaquecas, dores musculares e piora nas dores crônicas.
Fique atento a sintomas psicológicos, cognitivos e comportamentais que aparecem no Burnout. Dificuldade de concentração, lapsos de memória, irritabilidade, isolamento social, alterações de humor e sentimentos de fracasso são os mais comuns.
Lembre-se: os sintomas precisam ser persistentes e estar associados a dificuldades relacionadas ao trabalho!
Reconhecer o Burnout rapidamente não é apenas uma questão de autoconhecimento, mas sim a chave para evitar que o cansaço se transforme em um esgotamento crônico e destrutivo. O diagnóstico tardio pode trazer sérias complicações psicológicas além do aparecimento de doenças crônicas.
O diagnóstico é clínico, feito por um profissional de saúde mental (como o Psicólogo ou o Psiquiatra), e não exige a realização de exames laboratoriais.
O tratamento
O cuidado Psicológico é essencial no tratamento do Burnout. Tanto para identificar as crenças, valores e gatilhos que causam ou mantém a pessoa em sofrimento, quanto para tratar as consequências que a Síndrome causa. Muitos indivíduos enfrentam dificuldade em retornar ao trabalho ou precisam repensar seus interesses profissionais, e o apoio da Psicoterapia é fundamental nesse processo.
O uso de medicações será avaliado pelo médico Psiquiatra, sendo indicado em casos em que sintomas ansiosos ou depressivos dificultam a rotina e o tratamento.
Conheça algumas estratégias de prevenção e de autocuidado:
· Estabelecer limites claros entre vida profissional e pessoal.
· Promover o equilíbrio e o lazer (hobbies, tempo com a família e amigos).
· Prática regular de exercícios físicos e alimentação saudável.
· Técnicas de relaxamento (meditação, mindfulness).
· Aprender a delegar e a gerenciar a busca por perfeição.
· Buscar ajuda profissional logo nos primeiros sinais de esgotamento.
Leu esse artigo e se identificou com os sintomas? Ou ainda tem dúvidas?
Procure um profissional de saúde mental (Psicólogo ou Psiquiatra). Eles terão os recursos adequados para avaliar seus sintomas e confirmar o diagnóstico.
Referência bibliográfica
World Health Organization. (2019, May 28). Burn-out an “occupational phenomenon”: International classification of diseases. World Health Organization; World Health Organization. https://www.who.int/news/item/28-05-2019-burn-out-an-occupational-phenomenon-international-classification-of-diseases




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